domingo, 18 de julho de 2010

Velico vicis

Era mais uma noite de trabalho que não passava. Os clientes não eram mais que 20, mas a banda tocava mesmo assim para ouvidos desatentos e mentes cansadas.

Logo a minha frente estavam um casal e um amigo deles (era o que parecia). O casal se dava muito bem, o amigo não parecia constrangido em estar "sozinho" ali e também não pareciam aguardar mais ninguém. Uma garrafa de Johnnie Walker Red Label estava pela metade na mesa e os três falavam alto, competindo com a mesa de trás, onde estavam um dos donos do bar e amigos que comemoravam o aniversário do marido de uma antiga funcionaria.

Eu apenas aguardava o fim da última entrada da banda para poder ir para casa dormir. Sai para fumar um cigarro (graças ao Serra) e ver se o tempo passava mais rápido. Eis que os dois caras que estavam na mesa com a moça saem para somar fumaça ao ar.

Tenho que lhes confessar que naquela terça-feira eu não esperava nada, minha vida estava chegando ao ponto monótono que se chega depois de muito tempo sem novidades e, definitivamente, nada mais aconteceria pois eram mais de meia noite e dali menos de 6 horas eu teria que estar de pé para mais um dia de faculdade e depois trabalho. Mas...


Me pediram o isqueiro e perguntaram se a banda iria voltar a tocar e dai o papo se iniciou, a bebida facilitava a simpatia deles e o meu cigarro me impedia de entrar novamente no bar. Para poupa-los do dialogo todo vou resumir: Era aniversário de um deles e ali no bar estavam o aniversariante, a namorada e o cunhado dele. Me disseram que numa terça feira somente eles se dispuseram a sair para comemorar e que mal haviam começado, que dali iriam para algum outro lugar, como trabalhava em um pub me perguntaram se não conhecia algum lugar legal e que ficasse aberto até mais tarde, disse que não pois terça era fraco o movimento e não valia a pena para os bares ficar aberto. Eis que se inicia a mágica da oportunidade.

Talvez pelo excesso de álcool, ou pela hora, ou pelo destino mesmo eles me acharam muito legal e resolveram me convidar para comemorar o aniversário do rapaz com eles o que, claro, recusei educadamente. Imagina, eu teria que levantar cedo para ir a faculdade e já eram mais de meia noite, sem a menor chance.

Nesse meio tempo mais um cigarro tinha se juntado a nos, o do dono do bar onde trabalhava, e ele se apresentou da seguinte forma: "Gabriel, a gente tá indo pro bar do Jeff, ali na bela cintra, se quiserem...".

Pronto, era a deixa para mais um convite do trio, e dessa vez com um adendo, outras duas moças se juntariam a nós para a comemoração. Uma loira e uma morena.

Mais uma vez, sem motivo aparente, a luz da oportunidade me surgiu e eu resolvi aceitar o convite, afinal não seria a primeira nem a última vez que ficaria a noite sem dormir antes da aula. Fomos!!

O resto da noite são flashs. Lembro de piadas, lembro do bar do Jeff, lembro de beber muito, mas principalmente lembro do que me aconteceu.

As duas moças que nos acompanhariam na comemoração eram as irmãs Stephani e Jenifer (acho que se escreve assim). E, segundo indicações do cunhado do aniversariante, a loira era a minha e a morena a dele. Ótimo, na pior das hipóteses eu ficaria aguentando uma loira chata e feia. Vamos embora.

Mas o que eu não esperava era que a morena fosse roubar meu coração. Uma conversa mais interessante, uma intimidade instantânea e uma beleza estonteante.

Infelizmente, e para não alongar muito mais este post, eu perdi a oportunidade de pegar o telefone dela e de qualquer um deles que estavam lah e nunca mais voltei a ver essa morena.

Mas uma coisa me aconteceu nesse dia. Eu aprendi a NUNCA recusar um convite, por mais que a minha vontade seja de ficar debaixo da coberta, ou de dormir ou de qualquer outra coisa. Depois de avaliar as possibilidades de ser sequestro, ou encrenca, NUNCA recuso um convite. Quem sabe não é dessa forma que vou conhecer o próximo amor da minha vida, ou meu socio ou seja lá o que for. O importante é aproveitar as oportunidades que surgem, por mais estranhas e inusitadas que elas sejam!

Carpe Diem.

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