terça-feira, 31 de agosto de 2010

Coisas inacabadas.

Existem ainda algumas coisas inacabadas.

Pensamentos, tarefas, amores, textos, trabalhos, conversas e principalmente a vida.

Não sou o tipo de pessoa que gosta de terminar tudo que começa. Gosto sim de terminar, mas não tudo e não logo. Se tudo que comecei estivesse terminado os momentos de solidão seriam vazios, além de solitários.

Algumas coisas tem prazos, e esses precisam ser cumpridos para novas coisas surgirem. Mas os pensamentos, amores, textos, conversas e principalmente a vida, não precisam ser terminados. Assim nós nos mantemos pensando, amando, escrevendo, conversando e principalmente vivendo.

Mas cheguei num momento onde parece que os textos e pensamentos se completaram e, assim, terminaram. A única coisa que me sobra na cabeça é uma frase que não se resolve, que parece ter potencial para livros, filmes e conversas inteiras, mas que na minha cabeça não passa de uma frase.




Gotas de silêncio.

Ultimamente é isso que tem escorrido de meus poros criativos. Gotas de silêncio.
Encharcando todo o chão e desfazendo as poucas folhas de rascunho que sobraram.

Na sala a agua se acumula somente. Já faz meses e meses que as gotas de silêncio pingam de mim. No momento a agua vazia atinge meus joelhos e poucas letras são visíveis nas paginas molhadas que flutuam. Parece inevitável o fim, morrer afogado no silêncio dessas gotas que verteram de mim.




Com a frase transfomada em um esboço, prolongo o termino dela e garanto mais tempo de pensamentos interminados. E assim farei, alongarei os pensamentos, amores, textos e conversas até que a única coisa que não posso alongar se acabe.

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